terça-feira, 15 de março de 2016

Páscoa da Irmã Maria de Jesus







AVÉ MARIA!




Páscoa da Irmã Maria de Jesus Calvo Ariño
Mosteiro Mater Dei - Nampula - Moçambique

Hoje, dia 10 de Março de 2016, adormeceu no Senhor a nossa querida Irmã Maria de Jesus Calvo Ariño e nós, as suas Irmãs, confiamos que, ao despertar, contempla já FACE A FACE, AQUELE A QUEM AMOU E SE ENTREGOU

Palmira Calvo Ariño, nome de baptismo, nasceu em Miravete de la Sierra, Teruel,  Espanha, a 10 de Novembro de 1934.
 
Quarta filha de nove irmãos, sentindo-se chamada a seguir o Senhor, com 18 anos, comunicou a um sacerdote ancião que lhe deu uma lista de congregações para escolher. Ela disse ao padre que escolhesse as que fossem mais pobres.

Assim, a 18 de Março de 1954, entrou nas Servas de Santa Maria, em Madrid, cujo convento fora destruído na guerra civil espanhola, pelo que estavam hospedadas numa casa religiosa.

Iniciando seu noviciado, foi lhe atribuído, segundo o costume daquele tempo, o novo nome de Maria de Jesus.

 Em 1973, com 38 anos, ofereceu-se como voluntária para a fundação em Nampula, Moçambique, para onde partiu, juntamente com mais quatro monjas, em Julho do mesmo ano. Depois de muitas aventuras na viagem, sobretudo de espera, em Portugal, da autorização do governo, ainda o colonial de Lisboa, chegaram a Nampula a 17 de Dezembro de 1973.

Dentro deste espírito de doação e serviço, ocupou os cargos de Vigária, Ecónoma e Mestra de noviças, tendo por primeira e última vez, doze delas.
Durante toda a sua vida consagrada destacou se por sua piedade, fidelidade e coerência na sua vocação, estando sempre disponível para servir a todas as monjas que dela precisassem, particularmente na costura, de que era verdadeira artista.

O seu santo exemplo perdurará para sempre no coração de todos os que a conheceram. Perseverante na oração, austera na alimentação e nos seus haveres (sendo encarregada da roupa, tudo usava remendado).Obediente e verdadeira irmã de todas e cada uma, tendo grande delicadeza para com os pobres e as crianças órfãs.

Dia 18 de Março, cumpriria 62 anos de vida monacal e, em Setembro, celebraria 60 anos de consagrada.

Começou a ficar doente em Janeiro, com febres contínuas e partiu sem se encontrar a causa dessas febres. Assim partiu para Deus, porque Ele, mais uma vez, pronunciou seu nome para  a VIDA EM PLENITUDE. O Senhor lhe disse hoje: ” Vem esposa de Cristo, recebe a coroa, que EU  te preparei desde toda a eternidade”.

Vai nossa Irmã! Entra na alegria do teu e Nosso Senhor!

Ajuda-nos na nossa caminhada para Ele, para que possamos ser fiéis e corajosas nas adversidades, alegres na Esperança que jorra da sua presença nas nossas vidas, perseverantes até ao fim, sem condições, sabendo que no fim da caminhada seremos examinadas no AMOR.

Sabemos que a partir de agora a tua presença na comunidade será mais plena e fecunda do que o foi na terra.

Apresenta a Jesus as preocupações das nossas comunidades, nesta peregrinação terrestre.

Pede a Bênção para toda a família que hoje chora esta separação temporal desde longe, embora louvem a Deus pelo exemplo da tua vida.

Com Jesus, a Santíssima Virgem e os Santos, prepara-nos o nosso lugar na Glória Trinitária, no coração de DEUS, para celebrarmos juntas, um dia, a festa do Amor Eterno.

Até já!
                                 TUAS IRMÃS SERVAS DE SANTA MARIA

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Jubileu da Diocese de Nampula



A Diocese de Nampula celebra nestes primeiro dias de Setembro o seu Jubileu dos 75anos. Tal acontece também com as outras duas primeiras dioceses (Lourenço Marques/Maputo e Beira).

Em 1984, em vez da única Arquidiocese de Maputo (sufragâneas Xai-Xai e Inhambane) Moçambique passou a contar com mais 2 Arquidioceses (Províncias Eclesiásticas): Nampula (tendo hoje como sufragâneas as Dioceses de Lichinga, Pemba, Nacala e Guruè); Beira, (tendo como sufragâneas as Dioceses de Quelimane, Chimoio e Tete). 

São marcas do crescimento da Igreja no País. Será interessante anotar que a Diocese do Guruè, desmembrada da Diocese de Quelimane, ficou, originariamente, sufragânea da Arquidiocese da Beira, tal como a sua "Mãe"- Quelimane. Mas, com a chegada do actual Bispo Francisco Lerma, homem de especial sensibilidade antropológica e etno-social, passou a ser parte da Província eclesiástica de Nampula. Todos nós sabemos do parentesco próximo do Povo Lomwe (da Alta Zambézia) com o Povo Macua(da Província de Nampula). Há que ter ainda em conta as naturais relações de proximidade económica da Alta Zambézia com Nampula.

Diferentemente do costume, a data de 4 de Setembro não foi, em Nampula,  o terminus da celebração jubilar, mas sim o início. O importante é que se aproveite esta celebração jubilar para animar a Igreja que aqui nasceu ao longo destes 75 anos.

Seria importante que fizéssemos a memória da evangelização neste pedaço de terra moçambicana, parte da Igreja universal, que aqui ganhou feições bem próprias e viveu pelo menos 4 fases bem distintas:

1ª A do 1º Bispo, Teófilo de Andrade;
2ª A do 2º Bispo, Manuel de Medeiros Guerreiro;
3ª A do 3ª Bispo, Manuel Vieira Pinto;
4ª A do arcebispo actual, o 1º moçambicano desta diocese, Tomé Makhweliha



quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Diocese de Nampula tem novo Bispo




 Ernesto Maguengue - Novo Bispo em Nampula - Surpresa

Desde há anos que a saúde do Arcebispo Tomé Makhweliha, de Nampula, lhe não tem permitido estar presente na ampla Diocese como as necessidades e os deveres pastorais exigiam. Entre a sua resignação por motivos de saúde e a possibilidade de um bispo auxiliar, todos os figurinos iam passando entre os clérigos de dentro e de fora da diocese.

Finalmente, em Agosto passado, fomos surpreendidos com a nmeação do Bispo Ernesto Maguengue simplesmente como auxiliar. Para os leitores menos familiarizados com esas questões, informo que nestas circunstâncias, o que muitas vezes acontece é ser nomeado um bispo coadjutor com direito a sucessão. É uma figura do direito que dá maior conforto operativo e pastoral ao bispo nomeado que, praticamente, sabe que o seu trabalho, embora em articulação com o ainda bispo titular, já se projecta para o futuro em que ele será o bispo residencial
.
Aconteceu assim, por exemplo, com José Policarpo, em 1998, quando no leito de doença irreversível, o cardeal Ribeiro, então Patriarca de Lisboa, aguardava a sua Páscoa defintiva para Deus. José Policarpo foi nomeado Arcebispo-Coadjutor.

No caso de Nampula, o Vaticano mostrou-se mais cauteloso e optou apenas pela nomeação de bispo auxiliar. A circunstância da ausência do titular, Arcebispo Tomé Makhweliha, confere-lhe, na prática, obrigações pastorais de tempo inteiro. É o que todos esperamos dele. 

Entre a apreensão e a surpresa 
A nomeação do Bispo Ernesto deixou muitas pessoas apreensivas. Na verdade, ele viu-se obrigado a resignar da sua primeira diocese, a de Pemba, em circunstâncias algo delicadas. Muitas foram as razões que circularam nos bastidores, dentre as quais, a incapacidade de se entender com os seus padres diocesanos. Nunca isto ficou completamente esclarecido, mas os ditos foram variados.

Sabendo, por interpostas pessoas, da capacidade intelectual e da qualidade espiritual do ainda Padre Ernesto, era para mim evidente que haveria que encontrar um modo de voltar a inseri-lo na vida da Igreja de Moçambique. Mas não me passava pela cabeça que ele pudesse, de alguma maneira, “regressar” a um espaço canónico – a província eclesiástica de Nampula na qual se integra a diocese de Pemba – donde saíra nas perturbadoras circunstâncias de que todos estamos ainda lembrados. Esta a razão da perplexidade e da discordância desta nomeação.

Mas Deus escreve direito por linhas tortas e até sem linhas nenhumas. Dou graças a Deus pela coragem do Bispo Ernesto ter chegado a aceitar tão desafiante proposta. Pelo pouco que já me foi dado constatar, não hesito em vislumbrar nele o futuro arcebispo de Nampula.

Os que vivemos a sua nomeação com apreensão, dizemos, agora, que  a experiência de Pemba foi, para ele, uma grande escola. Do bispo distante e de difícil acesso (segundo os rumores de então), parece que nem réstea ficou. Em Nampula ele está dando provas de uma grande e humilde proximidade. Criou, para si, o estribilho de comunicação evangélica, “trabalhador da última hora” que deseja aprender com quem já cá está...

Nos encontros tem-se revelado um exímio pedagogo e gestor que não deixa para amanhã aquilo que deve ser resolvido – e feito – hoje. E isto numa mestria de paciência e respeito para com os ritmos que encontrou na diocese, nem sempre tão diligentes e céleres quanto seria de desejar.



Apraz-me recordar aqui o encontro que presenciei com os animadores das comunidades da Paróquia de Angoche, Aiube, Namitória e Namaponda, aquando da sua visita em 16 de Novembro. Foi delicioso vê-lo “conversar”, em espontâneo jeito coloquial, com o grupo reunido na Igreja Paroquial depois da grande celebração num recinto de desportos durante toda a manhã.

 Na linguagem e nos gestos dramatizados, ele passou uma mensagem bem assumida pelos circunstantes de que, a nossa vida e o exercício das nossas responsabilidades, devem assentar na Oração, no Trabalho, e no Conhecimento (ideia).

Nas suas homilias, tem-se-me revelado não só um excelente orador, mas também um excelente comunicador popular. Não resvalando para a linguagem eclesiástica tantas vezes rotineira e feita de lugares-comuns, mostra-se um bom companheiro do Papa Francisco: homilia contextualizada no povo simples que o escuta, e interveniente até ao coração das pessoas. 

Creio que demora mais do que o Papa, mas também o Papa não pode ter razão em tudo... Certamente que na sua celebração quotidiana na Casa Santa Marta, onde reside no Vaticano, ele é obrigado a ser mais conciso e breve, porque não dispõe nem do tempo nem do povo africanos!

Na celebração litúrgica tenho-o visto, com agrado, mais preocupado com a qualidade do que com o formalismo que parece querer invadir tantos sectores da Igreja católica apostados no regresso aos tempos pre-conciliares.

As “buxas” oportunas no desenrolar do rito eucarístico, à revelia e em reforço do ritual, sublinhando a nobreza dos momentos, revelam quanta liberdade de espírito e de criatividade lhe vai na alma.

Parabéns, Irmão Bispo Ernesto! Que Deus te conserve fiel na criatividade que vens revelando!